quinta-feira, 5 de outubro de 2017

5 de outubro - Dia Mundial do Professor

O Dia Mundial do Professor celebra-se anualmente no dia 5 de outubro e pretende homenagear todos os professores que contribuem para o ensino e para a educação da sociedade.
A data foi criada pela UNESCO em 1994 com o objetivo de chamar atenção para o papel fundamental que os professores têm na sociedade, para o desenvolvimento da população e das nações.

Transcrevemos a mensagem de Irina Bokova, Diretora-geral da UNESCO, para Todos os professores e professoras:

“Os professores são a força mais influente e poderosa para a equidade, acesso e qualidade na educação”


http://www.dge.mec.pt/noticias/dia-mundial-do-professor-0

Para mais informações sobre o tema, pode clicar na imagem.



A Equipa da Biblioteca  congratula  todos (as) os professores e professoras!

Implantação da ´República (para os mais novos)

Retalhos de História- Implantação da República

                            Revoltosos republicanos na Rotunda (atual Praça Marquês de Pombal)
 
"Quando chegaram a casa era dia claro. A mãe esperava-os à janela, com as mãos ansiosamente cruzadas no peito: «Depressa filhos! Que demora esta!» – e tirou-se para dentro. Atravessaram a rua a correr em direção à porta. Pelas janelas e às esquinas havia caras estremunhadas, assustadiças. Circulava gente com timidez, indagando, hesitante, com medo duma bala perdida. Subiram a escada tropeçando e rindo, falando todos ao mesmo tempo, respondendo aos vizinhos que acudiram aos patamares:
– É a revolução! Os republicanos já estão na Rotunda!
(…)
Durante dois dias e duas noites o ar de Lisboa andou esguedelhado de tiros, o céu riscado de fogos de vista singulares. Pairavam no ar palavras novas, de intrigante e mágico sentido – metralha, granadas, máuseres, shrapnell, obuses, barricadas, Maxim’s… O Santiago sabia tudo e explicava, à janela,                                  
tomado da excitação que vinha na aragem, no sol, nos ecos de longe, arrastando vozes e varrendo as fachadas, dando-lhes um estonteamento feliz, de grande festa. Era um espetáculo empolgante (…).
Anoiteceu naquilo, e de vez em quando, a poente, as granadas raiavam de fogo o veludo macio do céu, onde a estrela da tarde fulgurava num resto de luz verdosa. Outras explodiam em pleno ar, deixando uma bola de fumo que a aragem dissipava lentamente. Parecia um arraial. Mas não houve remédio senão ir para a cama, deixando os outros de janela, a gozar. Adormeceu depressa, embalado pelo vozear confuso, as exclamações de espanto, o troar distante dos canhões.
(…)
De repente o Santiago deu um grito:
– Mãezinha! Mãezinha! Venha cá ver! A bandeira republicana já está içada no quartel do Carmo!                
Correu de boca em boca e encheu o ar da vizinhança um Ah de assombro, surpresa, desolação e alegria. Todos quiseram ver, estenderam-se mãos para o binóculo, todos suplicaram… Mas havia um só. O sr. Sepulcra alongou fora da janela a beiçana formidável e o bigode mal pintado, e regougou com a voz nasalada e desdenhosa (havia muito tempo que nem se cumprimentavam):
– O menino é parvo! Pode lá ser, abandeira dos desordeiros!
Houve um instante de dúvida e frio. Sim, talvez o pequeno se tivesse enganado, isto de crianças… Intimidado, com os olhos vermelhos de insónia e uma ponta de conjuntivite, o Santiago encolheu os beiços e não contradisse o sr. Sepulcra, um cavalheiro imponente, e para mais funcionário das Alfândegas d’el-rei nosso senhor. O binóculo passou de mão em mão, até a velha Delfina quis ver, mas não se entendeu com o objeto – «Troca-me as vistas!», disse ela – e todos confirmaram que sim-senhor, lá estava a bandeira verde e encarnada, que até parecia ali a dois passos! A mãe, arrebatada, estendeu o aparelho ao vizinho:
– Veja, veja lá se o pequeno é parvo, ou quem é!
Entredentes chamou-lhe «caloteiro». Com certa repugnância aristocrática, o sr. Sepulcra pegou e olhou. Logo empalideceu, até a beiçola de rabadilha perdeu a cor: era a bandeira da canalha! A dona Mariquitas, que estava toda inclinada para fora, com os seios de neve perfeitamente à vista no roupão claro, deu um gritinho e desapareceu com os papelotes. Atrás dela sumiram-se todos – um dos filhos do funcionário rosnou com desprezo: «Galegos! republicanos!» – e fecharam as janelas em protesto, com estrondo. Ouviu-se a Rita num grande berreiro… O binóculo voltou a circular em mãos amigas. Até os Mitelos, reconciliados, vieram ver. A monarquia estava acabada.

Naquela noite, contra o costume, o sr. Augusto chegou cedo. Três dias tinha ficado fora de casa. Vinha pálido e fatigado, nem se tinha despido, com a barba crescida, mas radiante. Trazia uma mancheia de shrapnell, duma granada que tinha explodido na lavandaria do Hotel, uma recordação do Cinco de outubro.
Ficou acordado até muito tarde, a contar tudo à mulher, no quarto, à porta fechada. E pela primeira vez desde que o conheciam e amavam, os filhos o ouviram chorar como uma criança. A dona Adélia falava-lhe com ternura, ria-se daquela emoção…
Então compreenderam que alguma coisa de grande e sério de passava: não era só festa, só vivas, só fogos-de-vista! E ficaram muito tempo calados, no escuro da noite, pensando no pai que chorava de alegria, até que o cansaço daquele primeiro dia da Vida Nova os venceu, e adormeceram."

                                                                 
José Rodrigues Miguéis, A Escola do Paraíso, 1960 (excertos).


Revoltosos republicanos na Rotunda (atual Praça Marquês de Pombal), de 4 para 5 de outubro de 1910.

Fotos:http://www.wikiwand.com/


Votos de um bom feriado!

A equipa da Biblioteca

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

5 de outubro - Dia da Implantação da República

 O dia da Implantação da República, 5 de outubro, é um feriado nacional.
A implantação da República comemora-se anualmente a 5 de outubro, o dia em que a mesma foi proclamada, no ano de 1910, em Lisboa".

Imagem ilustrativa

Esta ação foi levada a cabo por um movimento de cidadãos apoiantes do republicanismo nacional. Estes cidadãos não concordavam que Portugal fosse governado pela monarquia. Chefiados por Teófilo Braga, os cidadãos procederam a um golpe de estado, destituíram a monarquia constitucional e implantaram o regime republicano.


Imagem ilustrativa

Após a proclamação da República foi criado um governo provisório chefiado por Teófilo Braga.

Em agosto de 1911 foi aprovada uma nova Constituição, tendo início a Primeira República Portuguesa. 


Imagem ilustrativa

O primeiro Presidente da República foi Manuel de Arriaga, eleito pelo Parlamento a 24 de agosto de 1911.
Imagem ilustrativa

Sabias que a imagem da República é representada pela figura de uma mulher, tendo como inspiração a imagem na obra "A Liberdade guiando o Povo, pintada em 1830 por Eugène Delacroix.


Obra sobre o tema que podes encontrar na Tua Biblioteca:

Imagem ilustrativa
Sinopse: São muitas as perguntas que colocamos quando se fala do 5 de Outubro de 1910. Será que saberemos o que é uma República? Qual é a diferença entre a República e a Monarquia? Como é que nasceu o Hino Nacional? Como é que se escolheu a Nova bandeira portuguesa?
As respostas a estas e outras questões podes encontrar neste livro de José Fanha...

Se quiseres aprofundar e descobrires mais sobre este tema, clica aqui.

domingo, 1 de outubro de 2017

Concerto de poesia para crianças - "Andante...(des)Concertante

No passado dia 28 de setembro, a convite da Biblioteca Municipal de Beja, as turmas do 3.º B e do 3.º C da Escola Básica de Santiago Maior, conjuntamente com duas turmas da EB de Santa Maria, deslocaram-se à Casa da Cultura para assistir ao espetáculo “Andante(des)Concertante”, pela companhia de teatro “Andante”.

A peça consistiu num concerto feito de poesia, música, magia, heróis, pings e bongs, bailados de mãos e… silêncio.


A maestrina conduziu uma floresta, onde havia uma orquestra, e com muita poesia, foi ensaiando com brincadeiras, coreografias, músicas, sons de vento e de pássaros e até de palavras proibidas.

No final, floresta e orquestra fizeram a sua apresentação… e todo o público participou.

Se clicares na imagem podes ver a surpresa que nos prepararam…



O recurso à Língua Gestual Portuguesa foi muito envolvente porque nos mostrou a fala das árvores e a dança das palavras através das mãos, o que nos permitiu perceber e valorizar mais esta língua num contexto artístico.

Obrigada pelo momento inspirador e envolvente, em que partilhámos o prazer dos livros, da poesia, do teatro e da arte através das palavras, do gesto e do silêncio num contexto verdadeiramente inclusivo. 

Agradecemos à Biblioteca Municipal de Beja e à Companhia de Teatro "Andante" a experiência que nos proporcionaram.
Obrigada!